Poética dos Cinco sentidos

Poética dos Cinco Sentidos Revisitada
Organização de Gilda Santos e Horácio Costa

A dama e o unicórnio, conjunto de tapeçarias exposto no museu Cluny, em Paris, fascina estudiosos há décadas com a sua alegoria enigmática sobre os cinco sentidos. Em 1979, seis escritores portugueses aceitaram o desafio de explorar, através da escrita, os temas representados nesta obra medieval, no livro Poética dos cinco sentidos.

Maria Velho da Costa percorre o universo desta misteriosa Dama através da visão. José Saramago através do ouvido, Augusto Abelaira pelo olfato. Nuno Bragança pelo gosto, Ana Hatherly através do tato. Já Isabel da Nóbrega aventura-se nas vagas do sexto sentido, enunciado na última imagem pela secreta divisa “A mon seul désir”.

Cada um destes autores ajudaria a traçar, a partir dos finais da década de 1970, o panorama da literatura portuguesa contemporânea. Trinta anos depois da publicação lusitana, a Poética é revisitada por seis ensaístas brasileiros:

Cleonice Berardinelli (UFRJ e PUC-Rio), Vilma Arêas (Unicamp), Jorge Fernandes da Silveira (UFRJ), Gilda Santos (UFRJ), Horácio Costa (USP) e Luis Maffei (UFF). Nesta edição cuidadosamente ilustrada, estes especialistas em cultura portuguesa guiam o leitor através de cada texto e imagem, num livro que aponta os caminhos da ficção no Portugal pós-ditadura salazarista.


r e v i s i t a d a

Maria Velho da Costa

José Saramago

Augusto Abelaira

Nuno Bragança

Ana Hatherly

Isabel da Nóbrega

Jorge Fernandes da Silveira

1 a comentar:

  1. Todo um programa. Os textos de 1979, assinados por escritores que viriam a marcar a literatura portuguesa dos últimos trinta anos, dão-nos testemunho não apenas da sólida cultura dos seus autores, em leituras que convocam a história e a simbologia do referente - o conjunto das tapeçarias do museu de Cluny, em Paris, designado "La dame à la Licorne" - como duma especialíssima originalidade nas diversas leituras produzidas de cada um dos sentidos ínsitos na obra original.
    Os textos brasileiros, produzidos trinta anos depois por figuras relevantes do panorama literário brasileiro, não se limitam a revisitar a obra originária, mas debruçam-se ainda sobre os caminhos que seguiram os seus antecessores portugueses e desvendam assim, numa magnífica leitura dos textos ecfrásticos, novos caminhos na busca dos diversos sentidos e das metáforas neles implícitas. Fiquei maravilhado com o texto relativo ao sentido do tato, escrito em 1979 por Ana Hatherley e agora revisitado por Gilda Santos. Ambos os textos nos ensinam a génese da vida e a vida como obra de arte, ambos nos ensinam como, para determinadas apreensões da realidade envolvente, é necessário mais que sentidos, é necessária a maravilhosa intuição que, a meu ver, é um privilégio das mulheres. Leitura obrigatória!
    Fernando Gouveia, Luxemburgo, Outubro de 2010
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