In memoriam Luís Sousa Rebelo

Luís Sousa Rebelo (1922 – 2010)
O nosso sócio Luís Sousa Rebelo faleceu no passado dia 19 de Janeiro, em S. João do Estoril. Aí residia após o seu regresso a Portugal, desde já há alguns anos.

LSR, escritor, ensaísta, tradutor e professor, nasceu a 3 de Março de 1922. Licenciou-se em Filologia Clássica e, alguns anos depois, em Filologia Românica, na Universidade de Lisboa, tendo também feito estudos de pós-graduação, na Universidade de Coimbra.
Ainda muito jovem, dirigiu a revista Mundo Literário (1946 – 1948), com Adolfo Casais Monteiro e Jorge de Sena.

Foi na Grã-Bretanha que passou grande parte da sua vida. Foi leitor de Português na Grã-Bretanha, em Liverpool e Dublin. A seguir, convidado pelo ilustre lusitanista Charles Boxer, na altura titular da Cátedra Camões no King’s College, LSR foi professor nessa mesma Faculdade, primeiro também como Leitor e, depois, a partir de 1957 e até 1987, professor integrado na Universidade de Londres.

Com os seus vastos conhecimentos de Literatura e Cultura Clássica, Portuguesa e Inglesa, exerceu funções pedagógicas a nível académico universitário, tendo influenciado muitos dos seus alunos e contribuído para a difusão da literatura inglesa em Portugal (tradução da obra de Shakespeare, por exemplo) e da portuguesa no país onde trabalhava. Publicou obras fundamentais para as áreas da sua preferência: tradição clássica (A Tradição Clássica na Literatura Portuguesa, de 1982, que foi Prémio do PEN Clube Português), Camões (Camões e o Pensamento Filosófico do seu Tempo, de 1966), Fernão Lopes (A Concepção do Poder em Fernão Lopes, de 1983). São muitos os seus contributos em artigos e comunicações não só acerca dos autores já referidos, mas também sobre Diogo de Teive e Fernão Mendes Pinto e ainda sobre autores contemporâneos, tais como Jorge de Sena e José Saramago.

O seu vasto saber e erudição e a sua acção na investigação e docência, sempre exercidos com muita discrição, caracterizam-no como um dos vultos intelectuais portuguesas mais importantes do seu tempo. Do seu perfil humano, e de acordo com os amigos que com ele mais de perto conviveram, ficou a personalidade austera e afável, com, por vezes, fina e acertada ironia; e também, como eles salientam, exemplar foi a sua constante e correcta avaliação relativamente ao que de sério se publicava a nível internacional e português acerca dos autores, obras e áreas da sua especialidade.

A presença de LSR continuará a acompanhar-nos, sobretudo pelo seu exemplo de empenho, como escritor e cidadão, nas causas para que o PEN foi fundado, e pela sua probidade e entusiasmo. LSR era também membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (desde 1978) e tinha sido agraciado com a Ordem de Sant’Iago da Espada (em 1993).
João David Pinto Correia

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