Há cerca de três anos, recebi um telefonema pessoal de quem queria contactar-me devido ao facto de querer integrar uma lista opositora para as eleições que ocorreriam daí a poucas semanas. Falámos muito cordialmente. Disse-lhe que o que sempre mais me preocupou foi a questão kennediana: Pensa no que podes fazer pelo PEN e não no que o PEN pode fazer por ti. Saudei desde logo, e disse-lho, a dinâmica assim iniciada. E quando esta se transformou na “guerra” que alguns media se apressaram a empolar, eu estava fora, na pausa semestral e – como me escreveu há muitos anos a Maria Alzira – na “paz do estudo” das bibliotecas berlinenses. Daí que encarasse o processo, no seu lado mais intempestivo, com a calma de quem sabe que há sempre mais mundos e sobretudo formas de colaborar E que, no dia das eleições e logo a seguir à contagem dos votos, o meu primeiro impulso tenha sido estender-lhe a mão e dizer que contava com ele.
Daí que, ainda, quando a Maria Alzira me falou de uma leitura que estava a fazer de dois romances, dele e do Manuel de Queiroz, eu lhe propusesse moderar uma sessão no âmbito do ciclo “A Cidade e a Escrita”. Foi um sucesso, faz agora dois anos.
Outros melhor do que eu farão exposições fundamentadas da vida e obra do Rui, que talvez por nos ter deixado tão abruptamente (ouso dizer que) ficará connosco com maior persistência. Resta-me, nesta nota sobretudo pessoal mas também no cumprimento do cargo que exerço, recordar uma certa maneira fugidia de estar no mundo, de quem teria muito por revelar – melhor, por ir revelando aos poucos.
T.S.

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